A música de Suzanne Vega faz perder o brilho dos olhos

No SESC Carmo aconteceu a exposição Maquinações. Eu nem estava sabendo na época mas algumas pessoas que conhecem meu trabalho identificaram alguma relação e me avisaram. Fui visitar e gostei bastante de ter sido identificado naquele monte de máquinas sem uso e de estética bagunçada com as entranhas eletrônicas e mecânicas expostas.

Um dos artistas com trabalho exposto lá é meu mestre amigo Guto Lacaz. Falei com ele sobre a exposição e ele me colocou em contato com o curador e um dos cabeças do movimento da Gambiologia, o Fred Paulino.

O Fred me avisou que fariam uma oficina/workshop no SESC 24 de Maio no final do mês de Janeiro e fui lá conhecer a pessoa e o trabalho dos gambiólogos. Tinha me preparado apenas para ir trocar uma ideia, mas como o SESC e os gambiarrentos (Fred + Juliana Porfírio) estavam disponibilizando o espaço e muitos materiais, decidi me juntar aos participantes da oficina e desenvolvi um projeto.

O que desenvolvi foi muito para testar uma tecnologia que há algum tempo eu havia ouvido falar mas nunca havia conseguido ver funcionando na prática, que é o audio de samples no arduíno.

O jeito mais fácil de entender como funciona um áudio digitalizado foi apresentado muito bem pelo Bitluni neste vídeo e nos subsequentes. O primeiro mostra apenas como funciona um conversor digital-analógico usando ‘filtros resistivos’ do tipo R/2R. Como neste vídeo ele já mete um arduíno para apresentar mais facilmente seu estudo na prática, o próprio Bitluni prossegue no raciocínio e leva a pensar em como uma onda sonora pode ser digitalizada e enfiada dentro da fraca memória do arduíno.

Eu gostaria muito de usar o método apresentado por Bitluni para meu projeto, mas por uma limitação de tempo e material, não consegui… Só o citei aqui para poder levar a um lugar onde a explicação do desmantelamento da onda para caber na memória fraca fosse bem dada. O jeito foi pegar alguma coisa que estivesse mais pronta (ainda) e meter dentro do arduíno. Aí, pesquisando, cheguei na biblioteca Talkie. Algumas coisas me chamaram a atenção neste biblioteca: o fato dela usar apenas um pino de saída para o áudio e o fato dela já ter um vocabulário pronto. Aliás, esta biblioteca é cheia de características interessantes. Os áudios ridiculamente diminuídos de sua resolução original tem uma voz que faz arrepiar de medo do futuro putrefato. Eram usados em projetos da Texas Instruments, Atari e outras empresas deste tamanho. Mas o que mais me prendeu ao uso desta biblioteca foi o fato de haver nos exemplos de uso dela um áudio de uma música que gosto muito e costumo usar para testar áudios quando instalo algum equipamento de som: a belíssima Tom´s Diner, da Suzanne Vega, inteira.

Pois bem, meu projeto era uma cabeça de boneca que fazia alguma coisa com os olhos enquanto “cantava” Tom´s Diner. Mas não deu certo… Esta biblioteca usa todo o processamento do arduíno para conseguir colocar o áudio no alto-falante. Assim, enquanto tocava a música, eu não conseguia fazer os LEDs dos olhos da cabeça fazerem nada… )-:

Tive que adaptar meu projeto e o tempo estava curto então usei outro dos exemplos da Talkie e apenas adaptei alguma função para fazer uma graça nos olhos. Precisava ser um áudio mais curto, então o exemplo de voltímetro foi ótimo: o arduíno era instruído a seguidamente ler a tensão do pino 5, transformar o número em caracteres, procurar o áudio de cada caractere e “dizê-lo” seguido da palavra “milivolts”. Como este áudio é curto, consigo liberar o processamento para depois disso os LEDs RGB instalados nos olhos da cabeça fazerem alguma graça. Fiz 3 funções de gracinhas para os olhos e elas se alternam conforme a cabeça termina de dizer sua análise.

Por enquanto tem um vídeo disto no meu instagram, mas farei um melhor para pendurar aqui.

Tatu e escultura

Considerando que um dos materiais que está sendo manipulado durante uma tatuagem é o humano, as respostas tem uma tradução pronta que retira da experiência a plenitude da interpretação da linguagem do material.

Mockup de escultura ou almofada

Esta publicação é uma continuação desta.

Com a salinha em estado de uso, volto a desenvolver meus estudos. O primeiro que retomei foi o da peça brilhante com luz. Não sei mais como chamar tal objeto , pois que enquanto o desenvolvo penso em vários usos. Também vou lembrando que este tipo de objeto e linguagem tem me visitado há tempos. No ano passado, junto com Padu Cecconelo fiz um figurino na SP Escola de Teatro que tinha muito da construção deste objeto. Também lembrei que há bastante tempo penso em uma instalação ou site specific que coloca algumas esculturas desta, mas na cor preta, em algum espaço bem branco. Com um chão reflexivo. Com uma luz intensa branca. A primeira referência que me vem são alguns ambientes da série O Ciclo Cremaster do Matthew Barney – apesar de que olhando agora não tem muita coisa disso nesta série. Acho que a sensação que o ambiente causa seria a mesma…

Enquanto fazia o mockup também pensei na associação desta ideia com a da auto construção dos SVG. Acredito que eu conseguiria construir virtualmente estas peças em um programa 3D e talvez isto me economizaria em alguma etapa do processo. Ao mesmo tempo, a resposta que se tem enquanto vai criando o objeto é imediata, o que faz a construção no ambiente virtual perder força.

SVG e arte abstrata

Esta publicação é uma continuação desta. E esta imagem destacada do alto não ilustra corretamente os problemas que encontrarei quando funcionar de fato o gerador de figuras fechadas simples em SVG. Porque a construção destas já passou pelo meu crivo. Engraçado…

O processo de desenvolvimento do meu trabalho com a arte abstrata em SVG passou por uma fase muito interessante neste final de semana. Após pensar que as formas fechadas que eu gostaria de desenhar seriam formadas por um aglomerado de outras formas fechadas, e que elas se desenhariam e se agrupariam de maneira aleatória usando números randômicos para alterar seus parâmetros, concluí que isso apenas daria certo por sorte. Acho importante esta palavra ‘sorte’ porque os números usados na montagem das formas seriam mesmo sorteados.

Formas sorteadas e distribuídas de acordo com fatores aleatórios não formarão arte. A arte passa por um processo de definição estética. As formas obtidas por um gerador que usa números randômicos dificilmente teriam uma construção bela. O belo, neste caso, seria a qualidade de uma forma harmoniosa. Com peso adequado, com tamanho, quantidade de protuberâncias, reentrâncias, distribuição dos ângulos. E para obter esta qualidade na forma teria que haver o controle na fase de sua construção.

Eu nunca tinha me colocado a pensar em uma definição de beleza a partir das formas abstratas e que esta beleza na arte, que segundo Mario Pedrosa é o exercício experimental da liberdade, estaria mais ligada ao controle do que a liberdade caótica.

Para que este programa que estou desenvolvendo possa desenvolver um resultado interessante terei que incluir muitos controles – muitas limitações em sua imensa quantidade de possibilidades. E aí, eu que sempre relacionava a criação artística com a liberdade estou tendo que pensar em limites e controle.

Tatuagens – O início

Ontem fui no aniversário da tia Vera, evento mais tradicional da família Bertolini. Lá mostrei para meus sobrinhos as fotos de algumas tatuagens que venho fazendo. Causou repugnância pela minha mãe. E pelo meu sobrinho! O Miguel tinha uma ideia pré-concebida de tatuagens muito interessante. Chegou a falar que era coisa de viciado e que esperava que eu não fizesse mais isso. Mas ele ficou bem confuso quando minha irmã manifestou o desejo de fazer uma tatuagem. Ia ser legal tatuar minha irmã!

Na real esta publicação é mais para eu conseguir juntar todas as tatuagens do começo que estou fazendo aqui. Já fiz em 4 pessoas: Léo, Vini, Cissa, Marcel. Tenho que aumentar esta lista.

1 – Tatuar na vertical. No começo eu não tinha prática e tentava tatuar a pessoa em posições em que a pele dela não estava na horizontal. Aí ficava inclinando a máquina e a tinta não ia para o lugar certo…

2 – Treinar bastante…

3 – Deixar alta a velocidade da máquina. Antes, por dó de minhas cobaias, eu deixava a velocidade da máquina baixa e ela não fazia direito as perfurações. Hoje, tatuando meu primo Marcel, treinei com uma agulha fina e velocidade alta. Ela foi bem, mas tive a impressão de que eu poderia ter usado uma agulha mais fina. A velocidade alta faz com que o traço fique mais grosso, porém mais preciso.

Progressos dos testes com SVG

Este texto é uma continuação deste.

Criei um repositório no GitHub para manter as versões organizadas. Vou fazer aqui uma lista de backlog para eu não me perder no projeto. Na real já deturpei um pouco a primeira intenção. Mas o que importa é o desgoverno do avanço epistemológico. Affe…

Acabei criando também um kanban no Trello. Puxa vida, que rapaz mais organizado.

Mas o maior avanço deste tema aconteceu hoje durante uma conversa com meu primo Marcel. Marcel é professor de matemática na Universidade Federal do Pará. Perguntei pra ele sobre a existência de alguma solução para criar as curvas fechadas simples – que elas não fossem do tipo não-simples. Ele não sabia. Mas fomos conversando sobre o assunto e a conclusão que cheguei com a ajuda dele foi que melhor será não trabalhar com o desenho, mas sim com as formas. Fazer um amontoado de formas para montar as que eu quero. Um número de formas pré-definidas que fossem alteradas em sua escala, deformação horizontal e vertical, rotação. Depois seriam amontoadas e soldadas. Como na imagem destacada desta publicação.

Produtos

OK, tenho formação em design e preciso ganhar dinheiro. Não sou besta de achar que existe dinheiro fácil por aí, mas acho que um produto pode ser legal. Um que junte meus conhecimentos em escultura, design, usabilidade, eletrônica e figurino. Uma almofada com luz. ã?

Este desenho é baseado no uso do verniz pink com fio eletroluminescente aplicado (costurado) nas emendas. A peça é uma mistura de escultura com almofada.

Quero pensar em uma linha de almofadas tecnológicas. Com luz e com função (tipo uma com vibração, uma com aquecimento, uma com massageador).