É isso aí, amizade!

Hoje fiz uma coisa que nunca tinha feito no Facebook: desfazer a amizade com alguém. O que, é claro, me fez pensar sobre.

Antes das redes sociais os contatos eram guardados em uma agenda (que até era de papel antes do Orkut) e a gente só olhava pra eles quando lembrava que precisava acioná-los por algum motivo. Escrever isso me fez pensar: o que era legal quando as pessoas eram apenas contatos – e não ficava-se sabendo de cada coisa que a pessoa fazia – era que eu preservava na lembrança a pessoa que eu julguei ser importante a ponto de incluí-la como contato. Meus contatos moravam em algum lugar carinhoso em meu coração (e na agenda) e eu não sabia que elas tinham votado no outro candidato, que elas consideravam burro quem pensasse diferente, que elas tinham problemas. É claro que se sabia que as pessoas tinham problemas ou diferenças escandalosas de modo de pensar, mas isso não ficava se exibindo a todo momento e estes defeitos podiam até mesmo ser desconsiderados. Os problemas só eram identificados quando se entrava em contato com a pessoa. E isso era mais raro. A palavra raro aqui pode ser aplicada no mesmo sentido que o ouro o recebe. Assim se encontra o valor no encontro e na troca de informações.

A maioria das pessoas é uma construção nossa. Toda a vida dela existe dentro da nossa invenção. Se conhece-se uma pessoa na época em que ela está profundamente triste ou brilhando alegria vá se construir uma imagem que tenha a ver com aquele momento. As pessoas mudam.

Uma pessoa que foi considerada amiga há muito tempo não é a mesma pessoa de hoje. Não existe problema nenhum nisso. Mas ninguém é obrigado a ser amigo de ninguém. De boa, relax.

Iso posto, vou deixar de seguir todo mundo no Facebook. Eu prefiro saber da vida de vocês quando os encontrar. Contato é para trocar informação – não receber sem requisitar. Agradeço que me entendam.

Posse do novo presidente

Entrou o novo presidente. Não votei nele e ele é um pacote de problemas políticos: intelectualmente limitado, com pouca paciência, debochado. Não reconhece problemas alheios, populista lacrador de internet. A cara do Brasil. Temente a seu deus, quer impor sua crença para o país. Com mania de perseguição, acha que pegou a direção enquanto a nação se vestia de socialista, comunista, vermelha. Quem dera…

O Brasileiro é um gordão de uns 32 anos e uns 1,80m. Pesa uns 150kg, usa chinelo menor que o seu número (ou o pé está muito inchado). O calcanhar está raspando no chão por causa do chinelo gasto. Sua cara feliz está suja com os restos do churrasco que comeu há pouco. Debaixo dos braços está molhado de suor. Ele dá uma amassadinha no saco contando da última mulher que importunou enquanto sorri olhando se sua mulher não está por perto (ela estava dando comida para seus dois filhos). Faz uns passinhos de dança quando toca seu batidão favorito. Este batidão é um sucesso que mistura funk carioca com sertanejo e pagode. Tem até uma batida de reggae no meio – e um break com uns 5 segundos de rap. Torcedor de um time qualquer que ele defende dizendo ser o melhor de todos e discursa razões para isso. Tem um prato de plástico sujo de farofa com vinagrete e uns ossos de frango numa mão. Na outra um copo de plástico com uma cerveja onde se vê migalhas de pão que saíram de sua boca na última golada. Sua camiseta sem manga tem umas frases em inglês e sua bermuda de nylon tem muitas cores. Ele sua o calor tropical do nosso querido Brasil misturado com o calor da churrasqueira do sítio alugado pelo tio.

Esta publicação inaugura uma fase de opiniões pessoais aqui. Vou dar um jeito de esconder isso no fluxo normal do blog porque acho que não importa muito aos outros. Mas para meu exercício de texto é importante. Vou instalar um escondedor de publicações de determinada categoria. Urrú!