Neste ano de 2026 sofri muito com as eleições. No final do período, pouco antes do pleito do segundo turno, tive uma constatação importante que me deixou feliz – mesmo antes do resultado para o lado que eu me fiz votar.
Acontece que estava realmente triste com a situação de ver mais da metade das pessoas do meu país escolhendo um candidato que trazia ligações com assassinatos, lavagem de dinheiro, misoginia, preconceito racial, lavagem de dinheiro e, de quebra, ainda era filho do ex-presidente que, entre outras atrocidades, participara ativamente em um plano que tentou sequestrar e assassinar o presidente e ministros do supremo tribunal federal – e por isso está preso!
Minha questão era: como, as pessoas informadas desta longa lista de características torpes, ainda assim resolviam votar em alguém? Minha teoria era a de que, na verdade, as pessoas não estavam recebendo as devidas informações que as colocassem a par destes problemas de caráter. Ao contrário, recebiam informações distorcidas que as levavam a odiar muito as resoluções do outro candidato, mesmo elas recebendo benefícios com estas resoluções.
Para ter acesso às informações que comprovaram minha tese, tive que usar muita gentileza. Antes de tudo, no contato que tive com as pessoas que votavam na extrema direita, verifiquei que elas estavam com os nervos tão – ou mais – expostos que os nossos, e que a aproximação precisava ser muito tranquila, paciente e completamente aberta para ouvir as opiniões delas. Um dos meios de informação que me tocou foi o canal de Instagram O Brasil Fora da Caverna. Nele uma pessoa, que acredito ser o dono do canal, entrevistava pessoas nas ruas perguntando em quem a pessoa votaria e por quê. Quanto mais demonstrava empatia e delicadeza em sua abordagem, mais obtinha informações distorcidas que haviam impregnado o juízo do entrevistado.
Lembro quando os ensinamentos de Olavo de Carvalho estavam muito fortes em nossa cultura política: ele ensinava a ignorar e calar as opiniões contrárias. Este bloqueio é de uma violência imensa e é o que mais me atinge como ser humano. Muito provavelmente o bloqueio violento na comunicação era defendido por ele por saber que o que pensava é pernicioso e falso. Não se pode, no entanto, negar que este método tem uma eficácia muito grande em conseguir manter um pensamento, por errado que esteja, bem defendido. Esta época formou grandes fascistas que acreditavam que era necessário ganhar discussões ao invés de desenvolver um assunto.
Depois de perceber o método gentil propagado nas entrevistas do Brasil Fora da Caverna, passei a tentar conversar com as pessoas ao meu redor que eu sabia que tinham apreço pelas ideias da extrema direita. E infelizmente e estereótipo, cheio de preconceitos se provou verdadeiro. Assim como a eficácia da abordagem gentil! Deste modo, acabei conseguindo comprovar que estas pessoas estavam recebendo informações diferentes das minhas em seus canais de informação. Amigos, amigas, colegas de trabalho, funcionários do meu prédio, todos apresentavam motivos estapafúrdios para justificar não seus votos, mas seus ódios pelo contrário. E todos eles mostravam, ao final das conversas amistosas, grande apreço por terem sido ouvidos sem um julgamento, uma ofensa, uma frase pronta inexpugnável.
Outra informação importante que obtive foi a de que as pessoas que fazem esta escolha de candidato baseando-se em informações de plataformas digitais e redes sociais tem noção de sua ignorância política e se sentem muito irritadas e envergonhadas com isso. Por mais que política seja um assunto que permeia toda relação civil, é um assunto impregnado de ojeriza terrível já que nos sentimos tão enganados e impotentes perante decisões que discordamos e que apenas nos são apresentadas. A abordagem gentil e empática, sem arrogância na defesa de um ponto de vista, foi muito proveitosa.
Esta troca acendeu uma esperança que foi muito importante no período de nervosismo exacerbado de um resultado de eleição tão apertado. Felizmente, ao final do pleito, o grupo mais próximo ao socialismo conseguiu se eleger. É Lula! Mas mesmo que o resultado tivesse sido o contrário, eu já estava convencido de que a maioria das pessoas não é burra, estúpida e agressiva, mas que está sendo informada para se tornar isso.
Como muito eu já disse neste ano, não acho grande coisa o governo Lula. Mas comparado às possibilidades do governo de um Flávio Bolsonaro, é um paraíso!
