Controlador de motor de passo sem Arduino

Como controlar um motor de passo sem Arduino

Quando desmontei meu ateliê antigo, que era compartilhado, os colegas artistas deixaram umas coisas para trás. Uma delas era uma lâmpada controlada pelo som, acho – fazia parte do acervo do Paulinho, do grupo Fluxus. Por algum tempo este rapaz fez a iluminação de várias festas e casas noturnas. Acontece que esta lâmpada estava com o corpo quebrado e dentro dela tinha alguns componentes que me interessaram. Os LEDs e o motor de passo, principalmente. Catei o motor de passo. Era um BYJ48 de 12V.

Não sabia se o motor que peguei estava funcionando. Diferente dos motores elétricos convencionais, um motor de passo precisa que determinada tensão seja ligada e desligada sequencialmente em suas bobinas para que ele se movimente. Ele faz uma pequena fração de rotação por vez. Este motor tem cinco terminais: um para tensão de alimentação e mais quatro que precisam ser sequencialmente ligados com o terra para que a corrente circule pelas bobinas. Vi no data sheet do motor a sequência que precisa ser aplicada.

Sequência que precisa ser seguida para movimentar o motor de passo BYJ48 de 12V em sentido horário.

Então, liguei uma fonte de 12V no terminal vermelho e quatro botões de contato, um para cada terminal, que ligavam o terra a eles.

Após este teste, verifiquei que o motor estava funcionando: ligar o terra (0V) nos terminais do motor na sequência correta fez com que ele movesse seu eixo. Então, agora, precisaria gerar aquela sequência automaticamente. Para isso usaria um conjunto de circuitos integrados operando em 5V e usaria os transistores como chaves para fazer passar os 12V que o motor usa. Não é indicado usar diretamente o circuito integrado para permitir o fluxo de corrente elétrica de um motor porque esta corrente pode queimar o circuito, que opera com correntes muito baixas. Também por isso usei os transistores como chaves.

Para testar se o uso dos transistores como chaves daria certo, acionaria com os botões de contato, 5V na base de quatro transistores BC548, com as correntes devidamente limitadas por resistores. Para obter os 5V usei um LM7805 com os 12V ligados em sua entrada.

O coletor de cada transistor estava ligado ao terminal do motor, e o emissor estava ligado ao terra.

Após verificar que deu certo o acionamento usando transistores como chave, fiz a sequência de acionamentos acontecer automaticamente. Para fazer isso, usei um circuito integrado 555 para criar um clock temporizador. Este clock tem um de seus resistores de configuração sendo um potenciômetro, para que a frequência do clock possa ser alterada. Liguei este clock a um contador decimal 4017. Este contador estava configurado para contar até 4 pulsos (o quinto pulso estaria ligado ao reset do contador). E cada pino estaria ligado para entregar 5V a base de um transistor BC548 com corrente devidamente limitada por resistor de 1,5kΩ.

Após o sucesso do circuito acionador do motor de passo, consegui incrementá-lo para acionar o motor no sentido inverso de acordo com a seleção feita por uma chave de contato com trava. Esta chave conectava o terra de um conjunto ou outro de transistores. De acordo com o circuito que estivesse ligado, a sequência de acionamentos dos terminais do motor seria uma: assim o motor pode rodar no sentido horário ou anti-horário.

O diagrama do que foi ligado pode ser visto abaixo.

Diagrama de ligação do circuito controlador de motor de passo. Deu certo!

Usei, para fazer o gerador de pulsos, o site da Lei de Ohm e, para ver o funcionamento de cada componente, o All Datasheet. Para fazer as ilustrações, usei Inkscape.

Novo ateliê

Hoje coloquei prateleiras no ateliê novo, na rua Conselheiro Crispinano. Primeiro fixei as mãos francesas na prateleira para depois fixar o conjunto na parede. Dá muito mais trabalho do que se primeiro fixar as mãos francesas na parede para depois colocar a prateleira em cima…

Como referenciar arquivos em html

Referenciar arquivos html de forma relativa e absoluta não é tão simples assim. Aqui podemos ver como fazer isso.

Escrevo essa publicação na intenção de ajudar aos iniciantes na arte do HTML. Não é muito simples encontrar alguma referência completa sobre isso na internet em português do Brasil. Aí, eu, na minha qualidade de educador, resolvi fazer isso.

Primeiro precisamos deixar claro que podemos usar as palavras ‘pasta’ e/ou ‘diretório’ para dizer a mesma coisa. Você que está lendo já deve saber o que é uma pasta: uma subdivisão de uma memória armazenadora de arquivos para facilitar o acesso humano a estes arquivos. Normalmente identificada e apontada com um nome de fácil assimilação. Por exemplo, a pasta ‘músicas’ provavelmente terá dentro dela arquivos de sons: mp3, ogg, wav.

As referências a outro arquivo, em HTML e outros sistemas de apontamento, podem ser do tipo relativas ou absolutas. São relativas quando consideradas a partir da localização do arquivo que está as chamando. E são absolutas quando consideradas a partir de um outro ponto inicial comumente conhecido. Para entender melhor, vamos considerar a localização do banheiro de uma casa. Se simplificarmos bem, podemos indicar a localização do banheiro a partir da entrada da rua (seria a indicação de localização absoluta) ou podemos indicar a localização do banheiro a partir do local onde estamos (seria a indicação de localização relativa). Assim, para se chegar ao banheiro, podemos ter:

ReferÊncia relativa

Entre na porta da esquerda.

Referência absoluta

Entre na casa, siga o corredor, suba a escada a direita, entre no quarto e entre na porta da direita.

As referências absolutas e relativas podem ficar mais complexas ou simples de acordo com o ponto de partida onde se está. Acima vimos um exemplo onde a referência relativa parece mais simples que a absoluta. Abaixo teremos um exemplo de como isso fica diferente quando temos que ir para a lavanderia da casa.

ReferÊncia relativa

Saia do quarto, desça a escada, vire a esquerda, siga o corredor e entre a direita.

Referência absoluta

Entre na casa, entre na porta a esquerda.

Agora vamos ver isso acontecendo com apontamentos de localização de arquivos.

Vou fazer uma aproximação do tipo de memória que o computador precisa acessar para o tipo de memória que nós gostaríamos de acessar na internet. A localização de pedaços de memória nos computadores é chamada de endereço. E tanto nós, usuários, quanto o processador do computador precisa saber o endereço das memórias que deseja-se acessar. Para o computador não tem problema isso ser uma coisa complicada como por exempo 00FF0F0017AFF5B001. Mas para nós humanos isso é ruim de interpretar e lembrar. Por isso os endereços de memórias nos foram simplificados.

Vamos considerar uma pasta de trabalho. Uma pasta no drive principal do computador chamada ‘Meu site’. O endereço completo desta pasta no drive principal do computador seria C:/inicio/meu usuário/meus trabalhos/meu site. Mas isso não nos importa muito. Só é necessário que estejamos familiarizados com a maneira como os arquivos são localizados dentro de uma estrutura de pastas no computador.

Dentro desta pasta ‘meu site’ tem um arquivo html. Podemos chamá-lo de index.html. Também tem uma pasta chamada ‘antigas’ e uma pasta chamada ‘recentes’. E dentro de cada uma destas pastas tem um arquivo HTML chamado ‘inicio.html’. Além de tudo isso, dentro da pasta ‘meu site’ temos uma pasta chamada ‘imagens’ e uma pasta ‘css’. Não vou descrever a estrutura inteira de arquivos porque fica muito mais fácil olhando para a imagem. Veja a representação gráfica de tudo.

Tendo nossa estrutura de arquivos, podemos navegar entre eles com referências entre um e outro. Todas as referências que faremos agora serão relativas. Adiante trabalharemos com referências absolutas.

Considerando que com nossos navegadores estamos no documento inicial do site, ‘index.html’, dentro de nossa pasta principal, que é a ‘meu site’. Se neste documento index.html eu precisar navegar para o documento ‘index_antigas.html’ que está na pasta ‘antigas’, preciso fazer o link da seguinte maneira.

<a href="antigas/index_antigas.html">clique aqui para ver as antigas</a>.

Estando neste documento, se eu quiser voltar para o documento anterior, uso o link assim:

<a href="../index.html">clique aqui para voltar</a>.

Repare nos pontos. Esta é a forma de apontarmos para um documento que está um nível abaixo do que estamos navegando.

Agora, estando em ‘index.html’, desejo fazer um link para a o documento que está dentro de ‘recentes’ e dentro de ‘melhores’. Para fazer isso, a partir do ‘index.html’, pode-se fazer assim:

<a href="recentes/melhores/index_melhores.html">clique aqui para ver os melhores e mais recentes</a>.

Estando no documento ‘index_melhores.html’, se eu quiser apontar para a página ‘index.html’ preciso colocar duas vezes os pontos de saída da pasta no caminho que vou apontar. Então, o endereço relativo ficaria assim:

<a href="../../index.html">clique aqui para voltar ao início</a>.

Da mesma forma, se dentro da página ‘index_melhores.html’ eu quiser usar uma imagem que está na pasta ‘imagens’, preciso endereçar desta maneira a solicitação.

<img src="../../imagens/circulo.jpg">

Agora vamos ver como estes apontamentos ficariam para endereçamentos absolutos. Isso apenas funciona se eu estiver hospedando meus arquivos em um servidor web. Eu posso estar funcionando o servidor no meu próprio computador, localmente, ou eu posso ter enviado os arquivos para uma pasta remota em um computador remoto onde esteja funcionando um servidor web. Vamos supor que este servidor web esteja preparado para responder no endereço http://www.teste.edu.br. Então teríamos a mesma estrutura de arquivos anterior, mas que respondem neste endereço.

Para fazermos a mesma chamada para o arquivo ‘index.html’ de forma absoluta, usamos a âncora assim:

<a href="http://www.teste.edu.br/index.html">Ir para a página inicial.</a>

Para chamar a página ‘index_antigas.html’ que está dentro da pasta ‘antigas’, o apontamento ficaria assim:

<a href="http://www.teste.edu.br/antigas/index_antigas.html">Ver as páginas antigas.</a>

E para eu usar uma imagem dentro de qualquer uma das páginas desta estrutura eu posso chamar no endereço da pasta de imagens.

<img src="http://www.teste.edu.br/imagens/leite.png">

Algumas observações agora:

  • a maioria dos servidores web está configurada para sempre apresentar o arquivo ‘index.html’ dentro de cada pasta solicitada se nenhum outro arquivo for determinado. Assim, tanto de forma relativa quanto absoluta, se você tivesse um arquivo chamado ‘index.html’ dentro da pasta ‘melhores’, por exemplo, para apontá-lo você poderia apenas apontar a pasta onde ele está. Assim:
    <a href="http://www.teste.edu.br/recentes/melhores">Clique aqui</a>.
  • quando configuramos um servidor web em nosso próprio computador de trabalho, a maioria das vezes o primeiro documento apresentado pode ser chamado no endereço ‘localhost’.
  • De maneira relativa, para apontarmos para o arquivo ‘index.html’ que está na raiz, podemos fazer um link apenas para “/”. Assim:
    <a href="/">Voltar para o início</a>
  • Normalmente a navegação de um site acontece misturando-se chamadas relativas e absolutas – então não precisa se ater a apenas um tipo. As referências cruzadas são uma riqueza da internet. Quanto mais referências coerentes fazemos em um documento, melhor a qualidade dele.

Minha memória, esta parte

Resumo de como o pensamento bolsonorista foi moldado e como combatê-lo.

Sinto que minha memória está cada vez mais sendo organizada e substituída por seu correspondente digital. E também é assim escrevendo que eu passo a limpo o que penso. Então:

Esta semana assisti a um vídeo fundamental para minha sanidade mental. Ele encontra o link perdido entre a razão comum e a fundação da ideia do bolsonarismo. Assunto que estava na lista dos grandes mistérios que me desassossegavam, este foi desenlaçado brilhantemente pelo pesquisador Castro Rocha – que eu só consegui lembrar do nome por causa de um trecho do próprio vídeo que trata sobre a ação comum do pensamento bolsonarista de desconsiderar a opinião de quem lhes é contrário ridicularizando-o, e o apelidaram de ‘castrado brocha’ construindo, assim, um belíssimo meme. Eis o link para este vídeo, mas que eu aqui quero colocar as lembranças mais frementes que eu aproveitei.

Primeiro que o pensamento bolsonarista se vale de uma publicação militar chamada ‘Orvil’ (livro, ao contrário) que defende que o brasil está dominado por um pensamento comunista e que isso é ruim para o país. Que em determinada altura os terríveis comunistas pensaram que uma guerra física não seria boa para ninguém e decidiram implementar uma dominação cultural que acabara sendo bem sucedida. E é por isso que eles desejam estragar a cultura como ela está formada. Na cabeça deles o comunismo já está implementado e precisa ser eliminado e visto como um regime ruim.

Nesta publicação, Orvil, defendem que não há porque reconhecer um inimigo se não houver um imediato esforço para eliminá-lo completamente. Assim fica mais fácil entender as ações nas redes sociais de desmerecer completamente a opinião de quem é contrário à ideologia bolsonarista – a chamada cultura de cancelamento. Isso Schopenhauer já aponta como uma maneira de ‘vencer uma discussão’ em seu livro que fora aproveitado maravilhosamente por Olavo de Carvalho para promover a forma de implantação e manifestação do bolsonarismo. Aliás, Olavo de Carvalho é apontado por João Cezar de Castro Rocha no vídeo citado como uma pessoa inteligente, eloquente e perspicaz influenciador.

Defendem também que contra um esquerdista não há diálogo: ele precisa ser calado e eliminado. E assim ensejam fazer o que mais é temido por mim, esquerdista frágil e desamparado neste mar de ódio. Não sei o que considero maior violência: a interrupção abrupta do diálogo ou a violência física. E esta é a prática defendida por ‘eles’. ‘Eles, os temíveis bolsonaristas’.

No final do vídeo João Cezar aponta um caminho poderoso: forçar o diálogo. E eu vi isso com uma esperança imensa. Porque considero que para fazer isso é preciso ter uma característica de que me orgulho que é a paciência. É preciso coragem para encarar e forçar o diálogo, mas se tomarmos a regra do jogo do oponente de que abandonar uma luta é covardia e isso é desmerecido, considera-se o abandono do diálogo como uma luta ganha! Na verdade isso é uma forçada na tentativa de ver uma vantagem em um projeto de metodologia de abordagem. Pois se considerarmos o pensamento de Olavo de Carvalho, abandonar um diálogo com um ‘esquerdista’ é preciso. Assim como sufocar este ‘oponente’. E agora?

O que usar

Que programas ando usando para fazer o trabalho do SESC

O SESC me deu alguns vídeos para fazer. Tutoriais de ensinar a usar aplicativos de celular. Aí pesquisei algumas alternativas para captura de tela do celular em vídeo. Resolvi usar o CamStudio para gravar telas do computador em vídeo. E aí espelhava o celular no PC. A princípio usando um aplicativo chamado Screen Mirror – que se mostrou meio lento mas que usava um recurso muito interessante e pouco explorado, a conexão via wi-fi direct – depois usando um software pequeno chamado Screen Copy que está em fase inicial de desenvolvimento mas se mostrou bem efetivo – embora peça para conectar o aparelho ao PC via cabo USB. Então, ligo algum destes, ligo o CamStudio e aponto para a tela onde está espelhada a tela do celular. Urrú!

Agora também no MixCloud

É o décimo programa de domingo do XTO e a partir de agora ele pode ser ouvido no MixCloud.

Desde que começou a quarentena por causa da COVID-19… ã… na verdade desde o dia das mães de 2020 tenho feito apresentações ao vivo no FaceBook aos domingos. Na verdade estou procurando um lugar melhor para fazer isso porque as apresentações ao vivo lá são verificadas para não terem músicas com direitos autorais requisitados. Quando o FaceBook detecta isso ele derruba a live e silencia o vídeo que grava… A parte de deixar a gravação intacta estou resolvendo gravando também em casa com meu velho gravadorzinho Sony e publicando no MixCloud. A parte de fazer uma live sem o crivo do FaceBook é mais difícil de resolver. Também porque o público que já se acostumou a acompanhar estas lives está todo lá. São os tios e tias da Patty do interior, minha família, os amigos. Tem gente de outras partes do mundo assistindo!

Na verdade este deve ser já o 10º programa dominical! O programa X!

XTO

Se fosse apenas pelo som eu poderia tentar colocar em outro lugar. Mas tem a imagem e o público. Então, provavelmente vou seguir pelo FaceBook por um bom tempo. Apesar de que já estou maquinando aqui na minha mente um mecanismo de publicação de live que dispara fotos a cada x segundos. O meu maior problema no momento é saber como funciona a consulta e download dos arquivos que ainda estão sendo montados. Esse é o segredo do live streaming.

Outro blog

Essa é a carinha do Leão das Galáxias criada pelo Rukin

Eu, o Kreps e o Rukin começamos um blog coletivo para colocar nossas pesquisas conjuntas. Se chama Leão das Galáxias e é um blog gratuito hospedado pelo WordPress.

Lá eu coloquei o desfecho do caso das Figurinhas Abstratas. No final das contas o Rukin acabou colaborando com uma grana, paguei a licença de produção para Android e colocamos na lojinha Play Store. O processo lá tem bastante burocracia, mas depois que entendi como funciona, parece um pouco a publicação de um blog.

Figurinhas abstratas

Esta aventura começou quando, durante o período de quarentena, entrei em um grupo de WhatsApp com pessoas cheias de vontade de interagir mas sem assunto específico. Típico de amigos saudosos que se encontrariam num bar e tomariam uma cerveja enquanto passam um tempinho sendo amigos. É legal. Para quando não se tem muito assunto ou resposta, lança-se um sticker. Essas figurinhas de WhatsApp são evolução dos emojis que são evolução dos emoticons. 🙂 Ufa. Mas agora elas trazem mensagens e memes, expressam sentimentos efusivos ou só lançam frases bestas. A certa altura da ‘conversa’ apenas estas figurinhas apareciam na tela. A comunicação no whatsapp possibilita o uso de texto, som e imagem. Mas as figurinhas são uma categoria a parte. Elas não necessariamente querem comunicar algo. Por vezes, apenas desejam evocar alguma sensação ou reação (no caso das figurinhas, costumam provocar o riso). Este tipo de comportamento é comum à arte. E assim tive a ideia de usar o ambiente do WhatsApp como meio para expor arte usando as figurinhas como suporte.

A arte contemporânea permite que a produção aconteça não apenas fixada aos meios, mas também sendo simples subversão e estranhamento dos meios. Assim dá certo existir rádio-arte, por exemplo. E assim a auto-referência pode existir como arte e também se justifica a tomada de um meio como arte. E a tomada do WhatsApp como meio de circulação artística, por si, já seria uma obra contemporânea interessante. Mas no caso do que fiz juntei a isso a qualidade estética das imagens que estão sendo colocadas em circulação.

A originalidade sempre foi uma qualidade apreciada na arte. No livro ‘ A grande feira: uma reação ao vale-tudo na arte contemporânea ‘ (Civilização Brasileira – 2009) Luciano Trigo olha para esta qualidade colocando que muitas obras contemporâneas são apenas boas ideias, apenas piadinhas, boas sacadas, objetos com grande carga de originalidade – mas não grandes obras de arte. Não que eu considere de grande importância levar em consideração a opinião deste crítico para pautar minha produção, mas a essa colocação poderia responder, no caso de ser feita para a minha obra, que também foram exploradas as qualidades técnicas e teóricas solicitadas para conseguir um resultado estético relevante.

As técnicas exploradas, neste caso, passam pelo uso de softwares gráficos e da programação. Mas esta subversão do meio – no caso, o aplicativo de comunicação WhatsApp – tem um impacto maior na produção contemporânea do que a qualidade gráfica em si. O WhatsApp há muito tempo é usado como veículo de circulação dos convites para os locais de fruição das obras, não como o próprio meio de fruição das obras.

Como foi feito

Então pensei em fazer uma coleção de figurinhas abstratas, desarticuladas da função de comunicação que o meio solicitava e, assim como toda imagem abstrata, sem a carga da representatividade. Como demoraria um tanto para produzir isso, solicitei a meu amigo Rukin, grande parceiro de produção, que fizesse parte da coleção – o que ele fez com grande qualidade.

O WhatsApp gosta que se produzam figurinhas para ele. Por isso disponibilizou um kit quase pronto em que se seguem as instruções (muito bem detalhadas) e já tá lá o pacote. A parte mais complicada é baixar e usar o Android Studio, que requer uma máquina com bastante memória.

A intenção inicial era ter disponível na loja do Android o pacote de figurinhas agrupadas para que elas circulassem o máximo possível. Mas nesta etapa do trabalho vi que precisaria pagar uma taxa de US$25 para ter direito a publicar lá. O dólar está muito alto, então resolvi disponibilizar o arquivo .apk aqui mesmo e quem quiser baixa e instala no celular. Esta solução não é a melhor para a divulgação e circulação, mas a realidade do artista brasileiro não é muito cheia de dólares então é isso que teremos no momento.