TecnoPapo II

Entrevistas realizadas no SESC Guarulhos sobre Tecnologias e Artes

Aconteceu no dia 28 de Fevereiro de 2020 no Estúdio 13 do SESC Guarulhos a entrevista que gostaria de falar sobre as tecnologias usadas em 2 formas de agrupamento carnavalesco: um bloco e uma escola de samba. Veio Eric Esteves, do bloco Jacaré de Tetas. E era para vir também o Magoo, carnavalesco da X9 Paulistana. Mas ele se embananou no horário e não compareceu…

TecnoPapo I

Depois do Bate-Papo Técnico que gravei no ano passado ficamos no SESC Guarulhos ajustando formatos e nomes e eis que temos nossa segunda gravação. Agora a atividade tem um novo nome: se chama TecnoPapo e promete ser mensal. Nesta edição que ora publico tivemos a presença de dois grandes artistas da música de Guarulhos. O DJ Brown Breaks, competente e experiente tocador de várias festas e eventos de peso como o Mastercrews; e BB Jupiteriano, tocador que inventa suas próprias ferramentas de som e produtor que já colocou as mãos em produções de gente como nosso querido e celebrado Edgar. Os dois falaram de suas experiências, equipamentos que usam e bagagens musicais. Ouça!

Gravado dia 17 de janeiro de 2020 no SESC Guarulhos.

Desenvolvimento da ‘escultura-luminária-ex-almofada’

Escrever sobre o processo de criação de um produto é bom para registrar as falhas e não repetí-las. Aqui vão minhas falhas!

Esta publicação é continuação desta. Minha intenção era usar o material que sobrou de uma produção para fazer uma escultura. Talvez esta escultura fique com um apelo popular o bastante para ser considerada um produto de consumo. Isto seria bom para mim, já que arte não está dando dinheiro.

Falhas

  • O recorte das peças precisa ser bem exato para que nos cantos não fiquem pontas que atrapalham a junção.
  • O TRIAC não rolou… a alta tensão que passava pelos terminais entrava no Gate pelo terra.
  • O layout feito no Fritzing e exportado em SVG teve que ser consertado no Inkscape. E é um SVG bem sem-vergonha…
Circuito feito no Fritzing

Depois fiz a placa de circuito impresso. Segui um processo que vi na internet em que a transferência da imagem do layout era térmica: com um ferro de passar roupas aquecia-se a imagem impressa por toner junta à placa de fenolite. Essa imagem tinha que ser impressa em um papel glossy e precisava estar espelhada para que quando fosse transferida ficasse correta. O papel glossy poderia ser novo, comprado em papelaria, ou de uma revista que já estivesse impresso. Tentei com a revista Veja e não deu certo: desta revista nem o papel se aproveita – eles usam um papel mais barato chamado papel layout. Então imprimi em uma revista antiga com papel bom em minha impressora laser. Depois lavei bastante o papel para que ele dissolvesse e deixasse a camada impressa grudada no cobre. A transferência deu certo!

Layout do circuito impresso para o sequenciador de fio eletroluminescente

Após a imagem transferida para a placa precisava arrancar o cobre de onde eu não o quisesse. Para isso precisaria corroer o metal com um tipo de ácido. Mergulhei-a em uma solução de percloreto de ferro (FeCl3). Preparei a solução na hora – ela vem em pó – e por isso a reação química um tanto violenta acabou respingando em minha mão me queimando de leve. Ainda bem que não pegou no olho! Com a reação ainda quente a corrosão da placa não demorou nem 3 minutos.

Agora estou na fase de furar os buracos das ilhas. Preciso tentar usar uma broca de menos de 1mm com a parafusadeira ou com uma mini-retífica. Talvez seja a hora de reativar o projeto de fazer uma tipo-Dremel com motor sucata da Sampoly.

A música de Suzanne Vega faz perder o brilho dos olhos

No SESC Carmo aconteceu a exposição Maquinações. Eu nem estava sabendo na época mas algumas pessoas que conhecem meu trabalho identificaram alguma relação e me avisaram. Fui visitar e gostei bastante de ter sido identificado naquele monte de máquinas sem uso e de estética bagunçada com as entranhas eletrônicas e mecânicas expostas.

Um dos artistas com trabalho exposto lá é meu mestre amigo Guto Lacaz. Falei com ele sobre a exposição e ele me colocou em contato com o curador e um dos cabeças do movimento da Gambiologia, o Fred Paulino.

O Fred me avisou que fariam uma oficina/workshop no SESC 24 de Maio no final do mês de Janeiro e fui lá conhecer a pessoa e o trabalho dos gambiólogos. Tinha me preparado apenas para ir trocar uma ideia, mas como o SESC e os gambiarrentos (Fred + Juliana Porfírio) estavam disponibilizando o espaço e muitos materiais, decidi me juntar aos participantes da oficina e desenvolvi um projeto.

O que desenvolvi foi muito para testar uma tecnologia que há algum tempo eu havia ouvido falar mas nunca havia conseguido ver funcionando na prática, que é o audio de samples no arduíno.

O jeito mais fácil de entender como funciona um áudio digitalizado foi apresentado muito bem pelo Bitluni neste vídeo e nos subsequentes. O primeiro mostra apenas como funciona um conversor digital-analógico usando ‘filtros resistivos’ do tipo R/2R. Como neste vídeo ele já mete um arduíno para apresentar mais facilmente seu estudo na prática, o próprio Bitluni prossegue no raciocínio e leva a pensar em como uma onda sonora pode ser digitalizada e enfiada dentro da fraca memória do arduíno.

Eu gostaria muito de usar o método apresentado por Bitluni para meu projeto, mas por uma limitação de tempo e material, não consegui… Só o citei aqui para poder levar a um lugar onde a explicação do desmantelamento da onda para caber na memória fraca fosse bem dada. O jeito foi pegar alguma coisa que estivesse mais pronta (ainda) e meter dentro do arduíno. Aí, pesquisando, cheguei na biblioteca Talkie. Algumas coisas me chamaram a atenção neste biblioteca: o fato dela usar apenas um pino de saída para o áudio e o fato dela já ter um vocabulário pronto. Aliás, esta biblioteca é cheia de características interessantes. Os áudios ridiculamente diminuídos de sua resolução original tem uma voz que faz arrepiar de medo do futuro putrefato. Eram usados em projetos da Texas Instruments, Atari e outras empresas deste tamanho. Mas o que mais me prendeu ao uso desta biblioteca foi o fato de haver nos exemplos de uso dela um áudio de uma música que gosto muito e costumo usar para testar áudios quando instalo algum equipamento de som: a belíssima Tom´s Diner, da Suzanne Vega, inteira.

Pois bem, meu projeto era uma cabeça de boneca que fazia alguma coisa com os olhos enquanto “cantava” Tom´s Diner. Mas não deu certo… Esta biblioteca usa todo o processamento do arduíno para conseguir colocar o áudio no alto-falante. Assim, enquanto tocava a música, eu não conseguia fazer os LEDs dos olhos da cabeça fazerem nada… )-:

Tive que adaptar meu projeto e o tempo estava curto então usei outro dos exemplos da Talkie e apenas adaptei alguma função para fazer uma graça nos olhos. Precisava ser um áudio mais curto, então o exemplo de voltímetro foi ótimo: o arduíno era instruído a seguidamente ler a tensão do pino 5, transformar o número em caracteres, procurar o áudio de cada caractere e “dizê-lo” seguido da palavra “milivolts”. Como este áudio é curto, consigo liberar o processamento para depois disso os LEDs RGB instalados nos olhos da cabeça fazerem alguma graça. Fiz 3 funções de gracinhas para os olhos e elas se alternam conforme a cabeça termina de dizer sua análise.

Por enquanto tem um vídeo disto no meu instagram, mas farei um melhor para pendurar aqui.

Tatu e escultura

Considerando que um dos materiais que está sendo manipulado durante uma tatuagem é o humano, as respostas tem uma tradução pronta que retira da experiência a plenitude da interpretação da linguagem do material.

Mockup de escultura ou almofada

Esta publicação é uma continuação desta.

Com a salinha em estado de uso, volto a desenvolver meus estudos. O primeiro que retomei foi o da peça brilhante com luz. Não sei mais como chamar tal objeto , pois que enquanto o desenvolvo penso em vários usos. Também vou lembrando que este tipo de objeto e linguagem tem me visitado há tempos. No ano passado, junto com Padu Cecconelo fiz um figurino na SP Escola de Teatro que tinha muito da construção deste objeto. Também lembrei que há bastante tempo penso em uma instalação ou site specific que coloca algumas esculturas desta, mas na cor preta, em algum espaço bem branco. Com um chão reflexivo. Com uma luz intensa branca. A primeira referência que me vem são alguns ambientes da série O Ciclo Cremaster do Matthew Barney – apesar de que olhando agora não tem muita coisa disso nesta série. Acho que a sensação que o ambiente causa seria a mesma…

Enquanto fazia o mockup também pensei na associação desta ideia com a da auto construção dos SVG. Acredito que eu conseguiria construir virtualmente estas peças em um programa 3D e talvez isto me economizaria em alguma etapa do processo. Ao mesmo tempo, a resposta que se tem enquanto vai criando o objeto é imediata, o que faz a construção no ambiente virtual perder força.

SVG e arte abstrata

Esta publicação é uma continuação desta. E esta imagem destacada do alto não ilustra corretamente os problemas que encontrarei quando funcionar de fato o gerador de figuras fechadas simples em SVG. Porque a construção destas já passou pelo meu crivo. Engraçado…

O processo de desenvolvimento do meu trabalho com a arte abstrata em SVG passou por uma fase muito interessante neste final de semana. Após pensar que as formas fechadas que eu gostaria de desenhar seriam formadas por um aglomerado de outras formas fechadas, e que elas se desenhariam e se agrupariam de maneira aleatória usando números randômicos para alterar seus parâmetros, concluí que isso apenas daria certo por sorte. Acho importante esta palavra ‘sorte’ porque os números usados na montagem das formas seriam mesmo sorteados.

Formas sorteadas e distribuídas de acordo com fatores aleatórios não formarão arte. A arte passa por um processo de definição estética. As formas obtidas por um gerador que usa números randômicos dificilmente teriam uma construção bela. O belo, neste caso, seria a qualidade de uma forma harmoniosa. Com peso adequado, com tamanho, quantidade de protuberâncias, reentrâncias, distribuição dos ângulos. E para obter esta qualidade na forma teria que haver o controle na fase de sua construção.

Eu nunca tinha me colocado a pensar em uma definição de beleza a partir das formas abstratas e que esta beleza na arte, que segundo Mario Pedrosa é o exercício experimental da liberdade, estaria mais ligada ao controle do que a liberdade caótica.

Para que este programa que estou desenvolvendo possa desenvolver um resultado interessante terei que incluir muitos controles – muitas limitações em sua imensa quantidade de possibilidades. E aí, eu que sempre relacionava a criação artística com a liberdade estou tendo que pensar em limites e controle.